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Cannabis mostra eficácia na dor lombar crônica em estudo fase 3

A dor lombar crônica é uma das principais causas de incapacidade no mundo. Em 2020, cerca de 619 milhões de pessoas conviviam com essa condição, e a projeção é que esse número ultrapasse 843 milhões até 2050.

Além do impacto na qualidade de vida e produtividade, a dor lombar gera custos elevados para os sistemas de saúde.

Apesar da ampla oferta de medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, muitos pacientes não alcançam alívio satisfatório. Além disso, diversas terapias estão associadas a efeitos adversos importantes, principalmente quando utilizadas por longos períodos.

Nesse cenário, cresce o interesse por alternativas terapêuticas com melhor perfil de segurança e eficácia sustentada.

Um estudo clínico de fase 3 avaliou um produto à base de extrato Full Spectrum da cepa Cannabis sativa DKJ127 como possível nova opção para o tratamento da dor lombar crônica.

Como foi conduzido o estudo clínico sobre a dor lombar

O ensaio clínico foi estruturado em etapas, começando por uma fase inicial de 12 semanas, conduzida em modelo duplo-cego, no qual nem os participantes nem os pesquisadores sabiam quem estava recebendo o extrato de Cannabis ou o placebo.

O principal objetivo foi avaliar a mudança na intensidade média da dor por meio da Escala Numérica de Dor (NRS), que varia de 0 a 10. Essa escala é muito  utilizada em estudos clínicos por permitir a mensuração padronizada da dor.

Os resultados mostraram que o grupo que recebeu o extrato de Cannabis apresentou redução média de 1,9 ponto na NRS. Quando comparado ao placebo, a diferença média foi de -0,6 ponto, com significância estatística. Isso indica que a melhora observada dificilmente ocorreu por acaso.

Impacto na dor neuropática associada

Um dos achados mais relevantes do estudo foi a melhora em participantes que apresentavam componente neuropático associado à dor lombar. Nesses casos, os pesquisadores utilizaram o Inventário de Sintomas de Dor Neuropática (NPSI) para avaliar os sintomas específicos.

Os pacientes tratados com o extrato de Cannabis apresentaram melhora significativa nos escores do NPSI. Esse resultado sugere que o tratamento pode atuar, além da dor mecânica ou inflamatória, em mecanismos relacionados à dor neuropática, que costuma ser mais resistente aos tratamentos convencionais.

Efeito sustentado ao longo do tempo

Após a fase inicial, os participantes continuaram sendo acompanhados por até um ano. Durante esse período, a redução da dor se tornou ainda mais expressiva, chegando a uma média de -2,9 pontos na escala NRS.

Além da magnitude da melhora, outro ponto importante foi a manutenção do efeito analgésico ao longo do tempo. Em terapias para dor crônica, a perda de eficácia com o uso prolongado é uma preocupação frequente.

No entanto, os dados indicaram que o extrato de Cannabis manteve benefício clínico consistente durante o acompanhamento.

Na fase de retirada, os pacientes que interromperam o uso do extrato e passaram a receber placebo apresentaram aumento mais acentuado da dor em comparação aos que continuaram o tratamento. Esse resultado reforça que o efeito terapêutico depende da continuidade do uso.

Perfil de segurança e risco de dependência

A segurança é um dos pontos mais sensíveis quando se fala em tratamento da dor crônica, especialmente considerando o histórico de opioides e o risco de dependência.

No estudo, os eventos adversos relatados foram, em sua maioria, leves a moderados e transitórios. Não foram identificados sinais de dependência ou síndrome de abstinência, mesmo após uso prolongado.

Esse dado é relevante por demonstrar que o extrato de Cannabis pode apresentar perfil de risco mais favorável quando comparado a algumas terapias tradicionais utilizadas no controle da dor.

O que os resultados indicam para o futuro

Os dados do estudo de fase 3 sugerem que os fitocanabinoides podem atuar como uma alternativa eficaz e segura no tratamento da dor lombar crônica.

A redução estatisticamente significativa da dor, o benefício observado em quadros com componente neuropático e a manutenção do efeito ao longo do tempo reforçam o potencial terapêutico do extrato avaliado.

Além disso, o bom perfil de segurança amplia a relevância clínica desses achados, especialmente diante da necessidade global por opções terapêuticas com melhor equilíbrio entre eficácia e risco.

Embora novas análises e diretrizes clínicas ainda sejam necessárias para definir protocolos ideais de uso, o estudo marca um avanço importante na consolidação da Cannabis medicinal como opção baseada em evidência científica robusta.

Conclusão

A dor lombar crônica continua sendo um desafio global de saúde pública. O estudo clínico de fase 3 com extrato Full Spectrum de Cannabis sativa DKJ127 demonstra redução significativa da dor, benefício sustentado e bom perfil de segurança.

Esses resultados reforçam o papel crescente dos fitocanabinoides como uma alternativa terapêutica promissora, especialmente para pacientes que não respondem adequadamente às opções convencionais.

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Referência científica

Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41591-025-03977-0