CBG potencializa o efeito do CBD no controle de crises convulsivas

CBG potencializa o efeito do CBD

Resposta rápida — o que você precisa saber

O papel de CBG e CBD no controle das convulsões

Cerca de 30% dos pacientes com epilepsia não respondem adequadamente aos medicamentos anticonvulsivantes disponíveis. Nesse cenário, a combinação entre CBD e CBG surge como estratégia promissora para ampliar as opções terapêuticas.

O Canabidiol atua na modulação da atividade neuronal e contribui para reduzir a excitabilidade cerebral, mecanismo fundamental no controle de crises convulsivas, especialmente em formas mais resistentes de epilepsia.

O Canabigerol (CBG), por sua vez, é um fitocanabinoide não psicoativo que vem ganhando espaço na literatura científica. Estudos indicam que ele também pode influenciar a atividade do sistema nervoso, atuando em vias relacionadas à neurotransmissão e à modulação da excitabilidade neuronal. A combinação entre os dois compostos tem chamado atenção pela possibilidade de potencializar esses efeitos.

O que o estudo revelou sobre a combinação de CBG e CBD

Detalhes do Estudo

Tipo de estudo Pré-clínico (modelo experimental)
Modelo utilizado Eletrochoque máximo (MES)
Compostos avaliados CBG isolado e combinação CBG + CBD (1:1)
Principal achado Redução de mais de 50% na dose de CBD necessária
Periódico Basic & Clinical Pharmacology & Toxicology (2025)

Na proporção 1:1, a dose de CBD necessária para atingir o efeito anticonvulsivante foi reduzida em mais de 50% — resultado que indica efeito sinérgico relevante entre os dois fitocanabinoides.

Para avaliar essa interação, os pesquisadores utilizaram o modelo experimental de convulsão induzida por eletrochoque máximo (MES), amplamente utilizado para investigar a eficácia de substâncias anticonvulsivantes. Os resultados demonstraram que o CBG possui efeito anticonvulsivante próprio, mas o principal achado foi a interação sinérgica quando administrado em conjunto com o CBD.

Redução de dose e implicações terapêuticas

A redução da dose necessária de CBD é um dado clinicamente relevante. Em terapias de longo prazo, diminuir a dose pode contribuir para reduzir efeitos adversos e melhorar a adesão ao tratamento — dois dos maiores desafios no manejo da epilepsia refratária.

No entanto, o estudo também identificou uma redução na dose associada à toxicidade. Isso significa que, embora a combinação seja promissora, ela exige atenção cuidadosa na definição da dose ideal. Os pesquisadores destacam que essa interação farmacológica reforça a importância de uma abordagem individualizada, especialmente em futuras aplicações clínicas.

Como CBG e CBD atuam no sistema nervoso

CBG e CBD atuam de forma complementar na modulação da atividade elétrica cerebral por meio do Sistema Endocanabinoide, que regula a excitabilidade neuronal, o equilíbrio dos neurotransmissores e a resposta ao estresse neuronal.

Ao atuar nesse sistema, os fitocanabinoides podem ajudar a reduzir a hiperatividade elétrica do cérebro, diretamente relacionada ao surgimento das crises convulsivas. A ação complementar dos dois compostos amplia o potencial de modulação neurológica em relação ao uso isolado de cada um.

O que ainda precisa ser estudado

Os resultados foram obtidos em modelo pré-clínico e ainda precisam ser confirmados em estudos clínicos com seres humanos. O estudo contribui de forma importante ao apresentar, pela primeira vez, curvas detalhadas de dose-resposta para o CBG isolado e em combinação com o CBD.

Essas informações são fundamentais para orientar futuras pesquisas e auxiliar no desenvolvimento de protocolos terapêuticos mais seguros e eficazes, ampliando o entendimento sobre o papel dos fitocanabinoides na neurologia e reforçando o potencial do Sistema Endocanabinoide como alvo terapêutico.

Perguntas frequentes

Estudos pré-clínicos demonstraram que o CBG possui efeito anticonvulsivante próprio e, quando combinado com o CBD na proporção 1:1, potencializa a resposta anticonvulsivante, reduzindo em mais de 50% a dose de CBD necessária. Ensaios clínicos em humanos ainda são necessários para confirmar esses resultados.

O CBD já possui evidências mais consolidadas no controle de crises convulsivas, inclusive com aprovação regulatória para algumas formas de epilepsia. O CBG é um composto mais recentemente estudado, com efeito anticonvulsivante próprio identificado em modelos pré-clínicos. A combinação dos dois demonstrou efeito sinérgico, potencializando a resposta clínica.

O estudo pré-clínico indicou que a combinação é promissora, mas também identificou redução na dose associada à toxicidade, o que exige atenção cuidadosa na definição da dose ideal. A abordagem deve ser sempre individualizada e orientada por médico especialista. Estudos clínicos em humanos ainda são necessários.

O efeito sinérgico ocorre quando a combinação de dois compostos produz um resultado superior ao que cada um produziria isoladamente. No estudo, a combinação CBG + CBD na proporção 1:1 permitiu atingir o efeito anticonvulsivante com uma dose de CBD mais de 50% menor, indicando que os dois compostos se potencializam mutuamente.

Referência científica

Basic & Clinical Pharmacology & Toxicology. doi: 10.1111/bcpt.70194

Autora

Foto de Ana Gabriela Baptista

Ana Gabriela Baptista

Ana Gabriela Baptista é Diretora da Vigo Academy e CEO da TegraPharma, atuando também como Pesquisadora, Consultora Técnica e Perita Judicial. Com uma experiência clínica de mais de 17 anos, concentra seus esforços no P&D&I de produtos derivados da Cannabis e na gestão terapêutica, educação médica, inteligência de mercado e compliance.

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