A dor crônica neuropática é um dos maiores desafios clínicos atuais. Diferente da dor aguda, ela persiste por longos períodos e está frequentemente associada a lesões no sistema nervoso, inflamação persistente e alterações na sensibilidade à dor.
Muitas vezes, os tratamentos convencionais oferecem alívio limitado ou estão associados a efeitos adversos, o que impulsiona a busca por novas abordagens terapêuticas.
Com isso, os fitocanabinoides vêm ganhando espaço na pesquisa científica.
Além do Canabidiol (CBD) e do Tetrahidrocanabinol (THC), um composto menos conhecido tem despertado interesse dos pesquisadores: o Canabigerol (CBG).
Considerado um canabinoide não psicotrópico, o CBG apresenta um perfil farmacológico promissor, especialmente no controle da dor e da inflamação.
O que é o Canabigerol (CBG)?
O Canabigerol é um fitocanabinoide naturalmente presente na Cannabis sativa, conhecido como um composto precursor de outros fitocanabinoides.
Diferente do THC, o CBG não provoca efeitos psicotrópicos, o que amplia seu potencial de uso terapêutico.
Estudos recentes têm demonstrado que o CBG interage com diferentes alvos biológicos envolvidos na dor, na inflamação e na resposta imune, sugerindo uma atuação promissora no manejo de condições crônicas.
Efeitos do CBG em modelos de dor aguda
Em testes experimentais de dor aguda, como o teste da formalina e o da placa quente, o CBG demonstrou potenciais efeitos analgésicos.
No estudo de referência, a dose de 30 mg/kg foi eficaz na redução das respostas dolorosas.
Esses resultados indicam que o CBG pode atuar tanto em mecanismos periféricos quanto centrais da dor, interferindo na forma como o organismo percebe e processa estímulos dolorosos.
Isso sugere um potencial analgésico amplo, relevante para diferentes tipos de dor.
CBG e dor neuropática crônica
Os achados mais relevantes do estudo surgem no modelo de dor crônica neuropática, induzida por lesão do nervo espinhal.
Nesse cenário, o tratamento contínuo com um extrato enriquecido em CBG, por 14 dias, reduziu de forma significativa a hipersensibilidade térmica e mecânica dos animais.
Na prática, isso significa que o CBG foi capaz de diminuir tanto a dor provocada pelo calor quanto a sensibilidade excessiva ao toque, dois sintomas comuns em pacientes com dor neuropática.
Redução da neuroinflamação e da ativação microglial
Além dos efeitos comportamentais, o estudo identificou alterações importantes no sistema nervoso central.
Um dos principais achados foi a redução da ativação microglial na medula espinhal.
A microglia é um tipo de célula do sistema nervoso envolvida na resposta inflamatória.
Quando ativada de forma persistente, contribui para a manutenção da dor crônica.
A capacidade do CBG de reduzir essa ativação indica um efeito direto sobre a neuroinflamação, um dos principais mecanismos da dor neuropática.
Mecanismo de ação: foco no receptor CB2
Um dos pontos mais importantes do estudo foi a elucidação do mecanismo de ação do CBG.
Os potenciais efeitos analgésicos observados estavam associados principalmente à ativação do receptor CB2, conhecido por seu papel na modulação da inflamação e da resposta imunológica.
Diferente de outros canabinoides, o CBG não apresentou atuação significativa sobre o receptor CB1, responsável pelos efeitos psicotrópicos do THC.
Além disso, não houve envolvimento relevante de mediadores como BDNF ou TNF, o que reforça um perfil farmacológico mais direcionado e potencialmente mais seguro.
Por que o CBG é uma abordagem terapêutica promissora?
Os resultados indicam que o Canabigerol reúne potenciais efeitos importantes para o manejo da dor crônica neuropática:
- Ação analgésica consistente
- Redução da inflamação e da neuroinflamação
- Ativação preferencial do receptor CB2
- Ausência de efeitos psicotrópicos
Esses fatores tornam o CBG um candidato promissor para futuras estratégias terapêuticas, especialmente como alternativa ou complemento aos tratamentos atuais.
Mais pesquisas sobre o Canabigerol (CBG)
Embora os resultados sejam provenientes de modelos experimentais, os dados reforçam o potencial terapêutico do Canabigerol no tratamento da dor crônica neuropática.
Seu potencial na redução da sensibilidade à dor e na modulação de processos inflamatórios centrais aponta para novas possibilidades no cuidado de pacientes que convivem com dor persistente.
Estudos clínicos em humanos ainda são necessários para reforçar sua eficácia e segurança, no entanto, o CBG já desponta como um dos fitocanabinoides mais promissores da nova geração de pesquisas em dor crônica.
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Referência científica:
https://doi.org/10.3390/ph18101508