Potencial do Canabigerol na queima de gordura e gasto energético

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Resposta rápida — o que você precisa saber

O que é o Canabigerol (CBG)

O CBG é considerado um dos fitocanabinoides precursores da planta Cannabis sativa: durante o desenvolvimento da planta, ele atua como base química para a formação de outros compostos, como o CBD e o THC.

Nos últimos anos, pesquisas começaram a explorar possíveis efeitos biológicos do CBG em diferentes sistemas do organismo, incluindo processos inflamatórios, neurológicos e metabólicos. No campo do metabolismo energético, o interesse científico tem crescido especialmente pela possibilidade do composto influenciar mecanismos ligados ao armazenamento e à mobilização de gordura.

Como o estudo foi realizado

Detalhes do Estudo

Tipo de estudo Pré-clínico (modelo celular in vitro)
Modelo utilizado Células 3T3-L1 (pré-adipócitos)
Composto avaliado Extratos de Cannabis sativa ricos em CBG
Principal achado Inibição dose-dependente da diferenciação de adipócitos
Periódico International Journal of Molecular Sciences (2026)

As células 3T3-L1 são amplamente utilizadas em pesquisas sobre obesidade porque possuem a capacidade de se diferenciar em adipócitos — as células responsáveis pelo armazenamento de gordura no organismo. Os pesquisadores avaliaram como os extratos ricos em CBG influenciam a formação dessas células e o metabolismo lipídico.

Redução de marcadores ligados ao acúmulo de gordura

Os extratos ricos em CBG reduziram a expressão de PPARγ, C/EBPα, SREBP-1c e FAZ — proteínas com papel central na diferenciação de adipócitos e no acúmulo de lipídios nas células.

A redução na expressão dessas proteínas indica que os extratos ricos em CBG podem interferir diretamente nos mecanismos celulares que favorecem o armazenamento de gordura, atuando sobre dois processos fundamentais: a adipogênese (formação de novas células de gordura) e a lipogênese (síntese e acúmulo de lipídios).

Estímulo à queima de gordura e ao gasto energético

O estudo identificou aumento de HSL e ATGL (proteínas ligadas à liólise) e de UCP1 e PGC-1α (associadas ao “browning” do tecido adiposo branco), sugerindo maior gasto energético e termogênese.

O processo de “browning” ocorre quando células de gordura passam a apresentar características semelhantes às do tecido adiposo marrom, que possui maior capacidade de gasto energético. Esse duplo efeito metabólico — menor formação de novas células de gordura e maior estímulo à mobilização energética — é um dos achados mais relevantes do estudo.

Influência do método de extração

Outro aspecto relevante observado no estudo foi a relação entre o perfil fitaquímico do extrato e os efeitos biológicos. Os pesquisadores identificaram que os resultados metabólicos foram potencializados conforme aumentava a concentração de etanol utilizada no processo de extração da planta.

Isso indica que a composição química final do extrato pode influenciar diretamente a intensidade da resposta biológica, reforçando a importância da padronização e do controle de qualidade na produção de extratos de Cannabis sativa utilizados em pesquisas científicas e possíveis aplicações terapêuticas.

Limitações do estudo e próximos passos

O estudo foi realizado em modelo pré-clínico com células em laboratório. Os pesquisadores ainda precisam investigar esses efeitos em estudos com animais e, posteriormente, em ensaios clínicos com seres humanos — etapas fundamentais para determinar segurança, dose ideal e possíveis aplicações terapêuticas no contexto da obesidade ou de distúrbios metabólicos.

O avanço dessas investigações pode contribuir para o desenvolvimento de novas abordagens voltadas ao controle do metabolismo e ao manejo de condições associadas à obesidade, ampliando o interesse científico por fitocanabinoides além do THC e do CBD.

Perguntas frequentes

Estudos pré-clínicos indicam que extratos ricos em CBG aumentaram a expressão de proteínas ligadas à liólise (HSL e ATGL) e ao “browning” do tecido adiposo branco (UCP1 e PGC-1α), sugerindo maior gasto energético e mobilização de gordura. Esses resultados ainda são pré-clínicos e precisam ser confirmados em ensaios clínicos com humanos.

Sim, em modelo pré-clínico. Os extratos ricos em CBG inibiram de forma dose-dependente a diferenciação de adipócitos, reduzindo a expressão de marcadores-chave da adipogênese e lipogênese como PPARγ, C/EBPα, SREBP-1c e FAZ. Estudos clínicos em humanos ainda são necessários para confirmar esses efeitos.

Enquanto o CBD tem sido mais estudado por seus efeitos anti-inflamatórios e ansiolíticos, o CBG demonstrou, em modelo pré-clínico, efeitos mais específicos sobre o metabolismo lipídico, incluindo inibição da adipogênese e estímulo à liólise e ao “browning” do tecido adiposo branco. Os dois compostos possuem mecanismos de ação distintos e complementares.

Não. O CBG é investigado como possível abordagem complementar no contexto de distúrbios metabólicos. As evidências atuais são pré-clínicas e ainda não há protocolos estabelecidos para uso clínico. O acompanhamento médico especializado é indispensável para qualquer decisão terapêutica relacionada ao controle do peso e do metabolismo.

Referência científica

Han J-Y, Kwon O, Lee YJ, Choi M, Lee B, Kim D-K, Noh S, Cho M, Lee Y-M. Comparative anti-obesity potential of cannabigerol-predominant Cannabis sativa L. inflorescence extracts via differential regulation of lipid metabolism in 3T3-L1 cells. International Journal of Molecular Sciences. 2026.

Autora

Foto de Ana Gabriela Baptista

Ana Gabriela Baptista

Ana Gabriela Baptista é Diretora da Vigo Academy e CEO da TegraPharma, atuando também como Pesquisadora, Consultora Técnica e Perita Judicial. Com uma experiência clínica de mais de 17 anos, concentra seus esforços no P&D&I de produtos derivados da Cannabis e na gestão terapêutica, educação médica, inteligência de mercado e compliance.

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Ana Gabriela Baptista é Diretora da Vigo Academy e CEO da TegraPharma, atuando também como Pesquisadora, Consultora Técnica e Perita Judicial. Com uma experiência clínica de mais de 17 anos, concentra seus esforços no P&D&I de produtos derivados da Cannabis e na gestão terapêutica, educação médica, inteligência de mercado e compliance.

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